Hoje, já são 137 cidades no Brasil que garantem gratuidade todos os dias, provando que a tarifa zero não é um sonho inalcançável, é uma política que funciona e que transforma a vida das pessoas. Agora, pela primeira vez, esse horizonte se abre também a nível nacional. O estudo recentemente iniciado pelo Governo Lula representa um avanço histórico: o Estado brasileiro começa finalmente a tratar a mobilidade como política pública estratégica, e não como problema invisível.
E há motivos de sobra para seguir avançando. Um estudo da FGV comparando cidades com e sem Tarifa Zero mostrou resultados contundentes: 3,2% de aumento no emprego, 7,5% de crescimento no número de empresas e 4,2% de redução de poluentes. A Tarifa Zero não só movimenta as pessoas, mas movimenta a economia, gera trabalho e melhora o ar que respiramos.
Mas não se trata apenas de economia. Trata-se também de enfrentar desigualdades profundas. As mulheres, que acumulam jornadas e dependem majoritariamente do transporte público, são diretamente beneficiadas quando não precisam escolher entre pagar a passagem e garantir o básico. E os dados do Censo 2022 escancaram o recorte racial: enquanto pessoas brancas usam majoritariamente automóvel, 29,5% da população negra depende do ônibus para trabalhar, e quase 20% precisa ir a pé. A Tarifa Zero é, portanto, uma política de gênero, raça e justiça social. A Tarifa Zero é uma política que amplia a autonomia e corrige desigualdades históricas.
E, quando falamos de viabilidade, o debate precisa ser honesto. O estudo coordenado pela UnB aponta um custo nacional de R$ 78 bilhões. Parece muito? Compare com os mais de R$ 50 bilhões em emendas parlamentares do orçamento de 2025. O que falta, portanto, é vontade política e prioridade social, de modo que o direito constitucional à mobilidade seja assegurado.
Como resposta a essa questão, lançamos o Fórum Nacional de Parlamentares pela Tarifa Zero, com o objetivo de garantir: o acesso à cidade, equipamentos de cultura, educação, saúde e lazer. Enfrentar a desigualdade, a partir de uma política pública intersetorial, proporcionará a construção de uma sociedade mais plural, acessível e justa.
A criação do Fórum Nacional de Parlamentares pela Tarifa Zero marca o início de um novo capítulo da luta por mobilidade e defesa dos direitos sociais no Brasil. Pela primeira vez, unimos parlamentares de diferentes estados, partidos e trajetórias em torno de um compromisso comum: transformar o transporte público em um direito universal. Buscamos articular propostas legislativas, ações junto ao Executivo, propor modelos de financiamento, fortalecer as cidades que já implementaram a política e ampliar o diálogo com movimentos sociais, trabalhadores do transporte, acadêmicos e usuários.
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